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O irrevogável suspiro
A minha vida íngreme persiste em continuar
Dos destroços, sobreviveu este sóbrio
Que uiva a cada noite de luar
Exânime, sem fulgor, sem brio
Sigo desnorteado, de olhar vagante
O firmamento que me circunda
Repleto e ermo, encadeou ao seu fluxo perseverante
A minha existência moribunda
Saliente e sem vigor
Não quero pensar em nada que delata a minha demora
Sob este céu ornado a rigor
Aguardo em retiro
O momento em que repudio este templo
O meu ínfimo irrevogável suspiro.
….Liana Gonçalves….
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Me deixaste
Me deixaste, para que
rasgue o meu lábio de tão árido
Com a sede intensa dos
teus húmidos beijos
Que acudiam com volúpia o
meu suspiro ávido
Que balançava minha
estrutura e me punha em despejos
Me deixaste para que viva
melindroso
Sem a âncora do teu
abraço
Sem o conforto do seu
regaço
Neste meu mundo tenebroso
Me deixaste para que os
meus olhos tinjam em vermelho
De tanto derrame, de
penosa amargura
E vaguei pelo mundo nas
asas da loucura
Me deixaste a mercê da
sorte
Para que me precipite na
voragem
Para que fatalmente beije
a morte
……Liana Gonçalves…..

